Movimento derivado


Trata-se de uma parceria de quarentena entre a cia. Ananda e a artista Graziela Andrade (graandrade). O projeto emerge nessa clausura coletiva, este momento em que a artista cumpre quarentena em seu ateliê improvisado e em que também os bailarinos e a diretora da cia estão espalhados em pontos da cidade, cada qual em seu lugar-quarentena. Entretanto, a admiração recíproca dos trabalhos artísticos da dança, com a cia; e da pintura, com graandrade, antecede a pandemia e a proposta elaborada, embora tenha a função primeira da criação artística em uma aposta de tradução intersemiótica mediada por imagens digitais, cumpre também um papel social que é o de gerar trabalho para uma rede de artistas desde bailarinos, a produtores e videomakers, com poucas chances de movimento em tempos de crise mundial.
Tendo as pinturas como ponto de partida perguntamo-nos sobre as possibilidades de dar a elas outras espacialidades e sobre como as obras podem atravessar os corpos dançantes. O encontro, ainda que virtual, com as pinturas pode provocar tensões, ritmos e sensações? Que movimentos podem ser derivados desse contato entre artes? Como este movimento, enquadrado, se traduz em dança?