Artigo 5º

“Artigo 5º” é um trabalho que nasceu da urgência de responder aos múltiplos ataques que hoje vivemos no Brasil. São bombas cotidianas que violam o direito à vida, ao tirar a vida daqueles que lutam por um país menos desigual, daqueles que lutam pelo direito à sua terra, à sua cultura. Ao tirar a vida de forma massiva de jovens negros e periféricos, ao aumentar consideravelmente a precariedade no país.  São terremotos que abrem buracos no peito e que desmoronam sonhos. Terremotos que demolem alicerces que antes imaginávamos perenes, como a nossa liberdade de expressão. E do estrondo desta demolição, fica um eco pairando no ar. O eco do medo, que paralisa gestos, atos e falas. O eco que ressoa na violência contra as mulheres, os homossexuais, os trans, as pessoas em situação de deficiência. E o cataclismo maior é escutar os aplausos diante de tanta miséria. E falamos aqui não da miséria que mata mulheres, homens e crianças de fome, de falta de abrigo ou de assistência médica. Mas a miséria da natureza humana. É a estreiteza do coração, do bom senso, da sapiência. É a ninharia da sabedoria humana que se transforma em tsunami e que fere, sem pedir licença, nossos direitos fundamentais.
Somos homens e mulheres, artistas que gritam pela livre manifestação do pensamento, da nossa expressão, das nossas escolhas. Somos pela inviolabilidade da nossa intimidade, da nossa honra e dignidade.